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Introdução
aos Mitos Anticatólicos: Economia, Direito, Terra
plana…
Posted: 06 Feb 2010 07:10 PM PST
Por Thomas E. Woods
Tradução: Kandungus
Fonte: EWTN/YouTube
Já ouvimos todos esse papo antes, não ouvimos?
“A Igreja Católica é inimiga da ciência, do
progresso e da razão”.
Bom, isso é tudo tolice e nós iremos provar sem dó.
Bem-vindos ao “A Igreja Católica: Construtora da
Civilização”. Sou seu anfitrião, Thomas Woods, e
gostaria de começar esta série com um fato bem óbvio
para a maioria: há um certo “duplo padrão” no mundo
quando se fala em Igreja Católica. Você pode dizer o
que quiser sobre a Igreja Católica; sua carreira não
terminará, ninguém se importará, não haverá
indivíduos ofendidos, nem greves de fome… Você diz o
que quiser e está tudo bem. Na verdade, você será
ainda melhor tratado nos círculos em voga do que
antes.
Então, qual o resultado disso?
O resultado é que você pode escapar impune mesmo
dizendo as coisas mais absurdas e ridículas sobre a
Igreja Católica. E as pessoas acreditam! Elas tendem
a acreditar em toda e qualquer calúnia absurda
contra a Igreja Católica; mas, pior ainda, alguns
católicos – eu acredito – começaram a incorporar
algumas dessas críticas e, no fundo, acho que eles
mesmos se perguntam: “A Igreja foi, afinal das
contas, uma influência positiva na História? Não foi
ela responsável só por repressão e ignorância? Não
foi ela uma oponente das ciências?” Todos fomos
ensinados a acreditar nisto… Aliás, seria um milagre
se não acreditássemos!
Porém, não é verdade! E nesta série mostraremos por
quê. Iremos exibir a verdadeira glória da Igreja
Católica.
Os ataques à Igreja Católica e à crença religiosa em
geral aceleraram-se nos últimos cinco anos, mais ou
menos. Nós vimos em anos recentes best-sellers
escritos por Richard Dawkins, Daniel Dennett e Sam
Harris, condenando a crença religiosa em geral como
“irracional” e “imbecil”; na verdade, eles estão
dizendo às crianças deste país: “Seus pais são tolos
por ensiná-los a religião”.
Pior do que isso é que depois do atentado de 7 de
julho de 2005 em Londres, o que vemos é essa
tendência do terrorismo islâmico dar a intelectuais
uma justificativa para que se oponham à todas as
religiões, com o argumento de que “toda religião é
irracional; toda religiâo pode causar violência;
então todas devem ser condenadas”. Por exemplo, no
escocês “Sunday Herald”, Muriel Gray afirma: “A
causa de toda esta miséria, desordem, violência,
terror e ignorância é, evidentemente, a própria
religião”.
E ela chama a religião de “disparate da Idade das
Trevas”: “Para o governo de um país secular como o
nosso” – ela diz – “tratar a religião como se esta
tivesse mérito verdadeiro ao invés de tomá-la como
um anacronismo absurdo, que educação, conhecimento e
experiência podem ‘esperançosamente’ superar com o
tempo, é um dos eventos mais deploráveis do século
XXI”.
Vou deixar de lado o fato de que ela não sabe usar
corretamente a palavra ‘esperançosamente’. Isso é um
outro assunto; o principal é que esta é a crítica.
Outra crítica: Polly Toynbee, do “London Guardian”
diz: “Chegou o momento de ser sério sobre toda
religião e traçar uma linha firme entre o mundo real
e o mundo dos sonhos”.
No “London Spectator”, Matthew Parris diz: “Aquilo
que une um Mulá extremista a um padre católico ou
pastor evangélico protestante é, na verdade, muito
mais significativo e interessante do que aquilo que
os separam”.
Estas críticas tornaram-se rotina; ouvimo-las
[sempre], entra dia, sai dia. Toda religião é
inimiga do progresso, mas a Igreja Católica em
particular é consistentemente vista como inimiga da
ciência e do progresso; do conhecimento,
principalmente. Por que isso? Como aconteceu?
Em parte, começou há 200 anos ou pouco mais, durante
o assim chamado “Iluminismo”, que apareceu no século
XVIII da História Europeia, época em que a classe
intelectual se tornou incomumente hostil à Igreja.
Eles depreciaram sistematicamente a Idade Média –
aliás, é por isso que usaram a palavra “iluminismo”,
pois a ideia era que, antes do “ilumininismo”, antes
do formidável século XVIII, só havia miséria, atraso
e ignorância estimulados pela Igreja Católica; mas
então, felizmente, tínhamos intelectuais seculares
para nos trazer “esclarecimento”.
Às vezes, acredito que o trabalho mais deprimento do
mundo deve ser o de professor de História da Idade
Média. Deve ser o trabalho mais deprimente… Imagine
você, durante o dia inteiro ensinando sobre a Idade
Média e dizendo: “A Idade Média não foi tão ruim! Em
verdade, muitas coisas importantes aconteceram na
Idade Média! A Igreja Católica tornou possível
vários acontecimentos notáveis!” Leciona-se isso
durante o dia inteiro; você escreve livros e
artigos; você vai inclusive à televisão, ao rádio;
você palestra sobre o assunto e o que acontece? Você
chega em casa, liga a TV e nada do que fez surtiu
efeito… Todos ainda acreditam que o Medievo foi um
período de ignorância e repressão; e foi tudo culpa
da Igreja Católica! É algo impossível de mudar. Deve
ser muito deprimente…
Por quê? Por que são tão resistentes à verdade? Por
que é tão difícil fazê-los mudar de ideia? Desde o
Iluminismo, algo que se enraizou em nossa cultura e
pensamento, foi a presunção de que a Igreja Católica
está errada e o Secularismo, a ideia de organizar a
sociedade e a vida sem referenciar a Deus, é a fonte
do progresso. Assim, naturalmente, tudo que se ligue
à Igreja envolve retrocesso, enquanto que se há algo
que um intelectual secular nos traz, essa coisa é o
progresso. Esta tem sido a lente pela qual a
História tem sido vista nos últimos dois séculos.
É por isso que apenas nos últimos, digamos, 50 anos,
é que vemos historiadores, enfim, desmentindo esses
absurdos e dizendo: “Esperem! A Igreja não só jamais
obstruiu as ciências como pode ter as promovido! Os
secularistas não apenas nunca criaram, por exemplo,
a Ciência Econômica, como na realidade foram padres
e professores católicos que a desenvolveram séculos
antes!” E por aí vai.
Mas está se levando muito tempo para refutar essa
ideia em geral aceita de que a Igreja é responsável
por retrocesso e ignorância. Está demorando demais…
Vamos refletir sobre algumas dessas áreas em que a
Igreja Católica realmente construiu a nossa
Civilização.
Escolhi essa palavra conscientemente. Por que
pode-se considerar a Igreja Católica sua
construtora? Ora, por exemplo, considere a maneira
como vemos a “caridade”, o trabalho caridoso:
acreditamos que você está fazendo caridade quando
ajuda alguém sem nenhuma expectativa de retribuição;
quando você o faz porque é bom e porque é certo
fazê-lo; você o faz porque sabe que, numa visão mais
ampla, aquela pessoa desafortunada é, de algum modo,
seu semelhante feito à imagem e semelhança de Deus;
então você a ajuda. Você não a ajuda por esperar,
três anos depois, visitá-la e dizer: “Lembra-se
daqueles 50 dólares que eu te dei?”; ou visitá-la e
dizer: “Preciso de votos; preciso de apoio político;
me ajude”. Não fazemos isso para poder dizer ao
mundo: “Ei! Vejam o quanto eu sou maravilhoso! Eu
dei àquele sujeito 10 dólares!” Não fazemos caridade
por essas razões; fazemos pelos motivos que já
citei: motivos puramente desinteressados.
De onde veio essa ideia? Essa ideia veio da Igreja
Católica. Na antiga Grécia ou Roma, se você
dissesse: “Oh! Vou ajudar alguém sem nenhuma
expectativa de reciprocidade; farei isso por pura
bondade”, achariam você demente: “Do que você está
falando?!!” Ainda pior seria a ideia de orar e até
mesmo tentar ajudar os próprios inimigos: “Quê?!!
Ficou louco?!!” Mas hoje admitimos isso como o
ideal, como os princípios que um bom homem tenta
incorporar. Mas, novamente: de onde eles vêm? Eles
vêm da Igreja Católica! A Igreja ensina isso sobre a
caridade; o mundo antigo, não.
Então aqui está uma área em que temos as coisas por
certo (este é o modo como pensamos: temos por
certo!). De onde vêm? Vêm da Igreja Católica. Direi
mais da caridade em um [momento] futuro.
E quanto à ideia de “Direito”, de que tenho “direito
à propriedade”, ou “direito de não ser assassinado”,
por exemplo? De onde vem essa ideia? Sempre nos
disseram que os secularistas no Iluminismo, ou pouco
antes disto, surgiram com essa ideia no século XVII.
De repente, surgiram os direitos! Bom… Isso também
não é verdade. E, novamente, a investigação moderna
vem para resgatar o Catolicismo. Eu sei que parece
estranho… Vocês imaginam que pesquisadores modernos
deveriam estar do “outro lado”, mas na verdade
professores honestos, tanto católicos quanto
não-católicos, dizem que a ideia de Direito remonta
ao século XII e que surgiu com juristas de Direito
Canônico. Essa ideia tem um significado simples: eu
tenho uma certa imunidade contra uma ofensa sua, ou
seja, você não pode me matar ou tomar a minha
propriedade, coisas assim. O Direito é isso: que
seria errado você interferir nessas áreas que são
minhas. De onde vem essa ideia libertadora? Do
coração da Igreja!
Ou, novamente, a Ciência Econômica… Por acaso, Adam
Smith simplesmente pensou em Economia no século
XVIII? Saiu tudo da cabeça dele? Ele tinha essa
cabeça gigante e toda a Economia brotou dela? Não,
na realidade, nos últimos 50 anos, o que os
historiadores têm dito? Eles têm dito que os
católicos escolásticos, professores que ensinavam
principalmente em universidades espanholas e, mais
especificamente, na Universidade de Salamanca, é que
criaram a Ciência Econômica moderna. Foram eles os
fundadores da Economia, não os secularistas do
Iluminismo. Isso está sendo descoberto agora. Na
parede do meu escritório tenho um retrato em moldura
da Universidade de Salamanca. Muitos entrariam lá e
perguntariam: “Como assim? Por que, de todas as
universidades, você escolheu esta aqui?” É porque eu
sei que foi lá que nasceu a Economia; e se você for
um profundo interessado como eu, você amará
Economia…
Finalmente, o que dizer sobre o nosso
comprometimento com a razão? Não nos orgulhamos
sempre da civilização ocidental por esse compromisso
com o uso da razão? Que usamos a racionalidade para
resolver disputas e solucionar debates? Bom,
certamente! Mas de onde vem isso? Isso também vem da
Igreja Católica! Por quê? Porque o sistema
universitário que a Igreja estimulou encorajava o
debate rigoroso e a racionalidade era tida como o
maior árbitro para decidir todas as questões a se
debater. Isto não é o oposto do que te contaram? Nos
contaram que a Igreja Católica é inimiga da razão.
Pelo contrário: nunca houve maior defensor da razão!
Mas não é apenas da razão; é mais das aplicações
específicas dela.
Por exemplo, as ciências em especial. As ciências,
mais do que imaginamos, devem muito à Igreja. Como
isso? É o oposto do que nos dizem. Mas, acreditem ou
não, historiadores dos últimos 50 anos dizem que a
Igreja Católica é mais e mais responsável pelas
ciências. [...]
Quantos dos fatos que descobrimos apenas agora são
escondidos em escolas regularmente? Nem preciso
perguntar. [...] Eu acho este o aspecto mais
deturpado e adulterado da História católica e mais
usado para golpear a Igreja. Quero mostrar que isso
é em grande medida feito injustamente. Digo “apenas
agora”, pois na verdade nos últimos 50 anos
cientistas que escrevem a História da Ciência
começaram a repensar os velhos argumentos contra a
Igreja, dizendo: “Querem saber? Pensando melhor, a
Igreja fez coisas muito importantes!”
Há uma razão pela qual a ciência foi estabelecida e
mantida por tanto tempo na civilização ocidental
enquanto não o foi em outras. No fim das contas,
isso não ocorre “apesar” da Igreja Católica, mas em
certos aspectos “por causa” dela. Há 100 anos, tudo
bem, você poderia ter lido um livro de Andrew
Dickson White sobre uma lendária guerra entre
Ciência e Religião no Ocidente. Hoje, esse livro é
considerado praticamente uma piada entre
professores; é tão ultrapassado quanto ridículo.
Hoje, há professores como Edward Grant escrevendo
livros editados pela Universidade de Cambridge;
Thomas Goldstein, A.C.Crombie, David Lindberg e
muitos outros. E todos eles concordam que você não
pode dizer simplesmente que a Igreja foi uma
oponente das ciências. Pelo contrário, há aspectos
do pensamento católico que foram indispensáveis para
o desenvolvimento da ciência; e veremos
especificamente quais foram eles. Mas, neste
momento, desejo que saiba que esse velho mito está
sendo derrubado por professores. Infelizmente, as
descobertas desses mestres ainda não conseguiram
chegar ao público mais geral; é o que tentaremos
fazer nesta série [de artigos].
Deixe-me dar um exemplo de história típica sobre a
Igreja Católica em que as pessoas são ensinadas a
crer [nesses mitos] e então refletir por que elas
acreditavam tão prontamente quando não havia nem a
menor evidência para tanto. Aqui vai um exemplo que
até muitos espectadores podem ter acreditado… Até eu
acreditei! Não havia razão para pensar de outro
modo… É a ideia de que Cristóvão Colombo, quando
empregou suas famosas navegações, estava em parte
tentando provar que a Terra não era plana, mas sim
esférica. Todos nós já ouvimos a história habitual,
que Colombo foi avisado: “Não, Colombo, não! Não
navegue tão longe! Você irá cair [no abismo] na
extremidade da Terra! A Terra é um grande disco
plano! Você cairá da margem e será devorado por
dragões e aranhas radioativas e gigantes”, algo
assim… Ele foi advertido a não fazer aquilo; mesmo
assim, ele fez e isso mostraria o quão valente e
formidável ele era.
Veja: não duvido que Colombo era mesmo um grande
navegador, mas se ele estivesse aqui hoje, lhe diria
que não estava tentando provar que a Terra era
redonda. Por quê? Porque todos já sabiam disso!
Todos já sabiam que o planeta era uma esfera! Nenhum
indivíduo instruído na Europa acreditava que a Terra
era plana! Isso é um mito, um mito absurdo! Tente
encontrar alguém na História do mundo cristão que
acreditava nisso! Procure por eles! Se todos
acreditavam, não deve ser assim tão difícil! E,
apesar disso, não se consegue encontrar nenhum
exemplo. Bem, quero dizer, você pode encontrar 2
exemplos de pessoas de quem você nunca ouviu falar:
1) Lactâncio, por exemplo, que viveu entre os
séculos III e IV, não tinha influência alguma e, em
todo caso, falava alegoricamente.
2) Outro possível crente foi uma pessoa do século VI
chamado Cosmas Indicopleustes. Já ouviram falar
dele? Nem eu! E nem ninguém na Europa ocidental,
pois Cosmas escrevia em grego e, naquela época,
poucos no Ocidente conheciam grego. São Gregório
Magno, que foi Papa de 590 a 604, nem ele sabia
sequer uma palavra em grego. Então dificilmente
alguém poderia ter lido Cosmas; ele só foi traduzido
para o latim em 1706!
Logo, qualquer um que possa ter ensinado sobre a
“Terra Plana” foi ouvido por 1 ou 2 pessoas! Não
tiveram influência nenhuma! A verdade é que todos
entendiam que a Terra era uma esfera! O que havia
era uma relutância em patrocinar a viagem de
Colombo, mas não porque acreditassem que ele cairia
da extremidade; o motivo para que tivessem medo era
que eles pensavam que Colombo havia subestimado
muito o tamanho dessa esfera… Colombo dizia: “Oh,
não! Não se preocupem! A Terra não é tão grande! Só
vou dar uma voltinha e volto logo! Tudo terminará
bem!” Mas diziam a ele: “Não, a Terra é muito maior
do que você pensa e você acabará morrendo de fome!
Você vai navegar, navegar e navegar e não haverá
terra alguma”. Para sorte de Colombo, uma porção de
continentes “brotou” lá no meio, ao contrário das
suas expectativas e para sorte dele e da sua
tripulação. É por isso que não queriam que ele fosse
e não porque achavam que ele ia cair da extremidade
[da Terra].
Percebo que isso é tão oposto ao que lhe ensinaram,
que você deve estar achando que estou inventando
isso tudo, não? “É claro que acreditavam em Terra
Plana”. Mas prometo a vocês que não. Existe até um
livro inteiro escrito para resolver a questão que
segue: se ninguém acreditava em Terra Plana, como
esse mito pode ter começado? E a resposta vem em um
pequeno livro escrito por um rapaz chamado Jeffrey
Burton Russell; ele escreveu um livro chamado
“Inventando a Terra Plana”. Ele descobriu que havia
um pequenino grupo de intelectuais no século XIX que
deu à luz esse mito: eles o criaram porque fazia a
Igreja Católica parecer ridícula, porque no século
XIX havia muito debate e disputa com a Igreja sobre
Darwin e outros assuntos e a ideia era a de que se
podia retratar a Igreja como sendo tão ridícula que
chegou ao ponto de ensinar que a Terra era plana;
então, poderiam mostrá-la como uma oponente
absolutamente desprezível. Assim, inventaram essa
história para colocar a Igreja sob um juízo absurdo.
Tenho certeza de que eles não tinham ideia da
durabilidade desse mito, que ainda no século XXI
ainda o ensinariam! Tenho certeza de que em algum
lugar, neste momento, alguém é ensinado: “A Igreja
idiota dizia que a Terra era plana e o bravo e
heróico Colombo a desmentiu”. Isso nunca tem fim…
Mas por que não tem? Por que possui tanta
durabilidade? A razão é que o mito serve bem a este
estereótipo iluminista: “A Igreja Católica é
estúpida; ela impede o progresso; ela nos força a
acreditar em asneiras”. É precisamente o que vemos
no mito da Terra Plana, não? Quem acreditaria que a
Terra era plana? Os antigos gregos até mediram a
circunferência da Terra! Obviamente sabiam que era
redonda! Como é que a Igreja pensou diferente?
Aqui está um bom exemplo de que o mito pode ser
facilmente derrubado, mas ele não foi porque serve a
um propósito. Tentasse você inventar um mito agora,
sobre qualquer pessoa famosa que pudesse pensar, e
dissesse que Fulano e Sicrano acreditavam em tal e
qual coisa, duraria uns três segundos! Contudo, as
pessoas crêem naquilo em que estão preparadas para
crer; e as pessoas estão preparadas para crer no
pior sobre a Igreja Católica.
O objetivo desta série [de artigos] [...] é ir atrás
não apenas desses pequenos mitos, mas construir um
edifício para mostrar as glórias da Igreja Católica;
não apenas para dizer: “Oh, a Igreja, na verdade,
não fez isso; a Igreja não foi tão má nessa
questão”. Não iremos avançar se a nossa mensagem
for: “A Igreja Católica: não tão má quanto você
pensava”. Precisamos de algo mais vigoroso; mais
vigor em nossa mensagem. Precisamos dizer: “Não
apenas a Igreja Católica não é tão má quanto você
pensava, como não ensinava que a Terra era plana”.
Não dá para vencer só correndo para apagar os
incêndios; ninguém jamais construiu um casa só
apagando o fogo! Incêndios devem ser apagados, é
verdade, mas achamos que não dá para construir se só
fazemos isso. Se sempre deixarmos que os oponentes
da Igreja definam o debate, então sempre ficaremos
na defensiva. Parece-me que, dado o estado da nossa
Civilização, já é tempo de partir para a ofensiva e
mostrar às pessoas todas as glórias da Igreja,
mostrar toda essa história oculta, para que não
precisemos dizer: “Oh, não somos tão maus quanto
vocês pensam”.
Somos muito mais gloriosos do que nós mesmos
imaginamos! E estaremos contra, francamente, pessoas
muitíssimo influentes neste mundo…
Tenho certeza de que vocês se recordam que a
Constituição da União Europeia exclui toda menção à
influência cristã na Civilização Ocidental. Quão
teimoso você precisaria ser, para cercado por
catedrais e obras religiosas, e dos frutos que a
Igreja nos deu; quão cego você teria de ser para não
mencionar que a Igreja teve algum papel na criação
dessa Civilização? A Constituição da União Europeia
inicia e termina com a ideia de qual “Civilização
Ocidental”? “Isso aí vem da Antiguidade Greco-Romana
e, depois, da Renascença e do Iluminismo”. E aquele
período de cerca de 1000 anos entre essas coisas,
sei lá o que ocorreu! Provavelmente nada demais…
Essa é a concepção padrão, a mesma que muitos tinham
até uns 50 ou 100 anos atrás. Hoje, qualquer
historiador de Idade Média digno do seu salário sabe
que isso tudo são asneiras e as rejeitaria com uma
gargalhada. Mas os arquitetos da União Europeia
excluem a menção à Igreja ou a Cristo em seu
documento de fundação. Não é que sejam idiotas – se
fosse isso, seria simples: apresentaríamos os fatos
e tudo estaria bem -, é que eles são hostis à
Igreja. Nada mais óbvio. Veja o que fazem na União
Europeia! Por acaso eles se parecem com católicos
devotos? Eles não têm interesse em propagar a
verdade sobre a Igreja e é por isso que nós,
católicos, temos uma obrigação especial: temos de
aprender tudo o que pudermos sobre a nossa Fé, temos
de espalhar esse conhecimento e temos de contar às
pessoas a verdadeira História da Igreja Católica,
porque se não nos defendermos, ninguém o fará por
nós!
Escrevi um livro chamado “Como a Igreja Católica
construiu a Civilização Ocidental”, porque achei que
já fosse tempo de contar a nossa História. É o que
farei nos próximos [artigos]: contar a nossa
História. Os próximos 3 [artigos] serão dedicados ao
tema “Igreja e Ciência” e vocês terão tanta munição
que não saberão o que fazer com ela depois de
concluirmos esses próximos [artigos]…
Vocês sabiam, por exemplo, que os Jesuítas – a
Companhia de Jesus – foram tão exímios nas ciências
que, neste exato momento, 35 crateras lunares têm o
nome de cientistas jesuítas? Sabiam que 1 entre cada
20 dos maiores matemáticos da História fazia parte
da Companhia de Jesus? Ou que os Jesuítas ajudaram a
fundar e se tornaram os maiores praticantes do
estudo de terremotos, a Sismologia?
E poderíamos citar tantos outros exemplos: teoria
atômica; estudo do Antigo Egito; física; e eu
poderia aqui continuar citando… Há muitas maneiras
pelas quais a Igreja contribuiu com as ciências!
Então, até o próximo [artigo] da série: “A Igreja
Católica: Construtora da Civilização”.
VOCÊ SABIA?
·
Que a Igreja Católica Romana forneceu mais ajuda e
apoio financeiro ao estudo da Astronomia, por mais
de seis séculos – da recuperação do saber antigo da
Baixa Idade Média ao Iluminismo -, do que qualquer
outra e, provavelmente, todas as outras
instituições? (J.L.Heilbron – Universidade da
Califórnia, em Berkeley).
·
Que a Igreja Católica teve de empreender a tarefa de
introduzir a lei do Evangelho e o Sermão da Montanha
entre os povos bárbaros que tinham o homicídio como
a mais honrosa ocupação e a vingança como sinônimo
de justiça? (Christopher Dawson).
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