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João Paulo II é beatificado diante de 1
milhão de fiéis
Cerimônia destacou dotes intelectuais,
morais e espirituais do pontífice.

João Paulo II morreu em 2005, aos 84 anos,
após 27 anos de pontificado.
Em uma cerimônia solene na presença de mais
de 1 milhão de pessoas que lotaram a praça
de São Pedro, segundo a polícia romana, o
Papa Bento XVI proclamou beato o seu
antecessor, João Paulo II (1920-2005), neste
domingo (1º).
A cerimônia teve início às 10 horas no
horário local (5h de Brasília), pelo papa e
outros 800 sacerdotes presentes. Com um
cálice e mitra que foram usados nos últimos
anos de pontificado de João Paulo II e com
uma vestimenta que também pertenceu a seu
antecessor, Bento XVI abriu a cerimônia com
uma saudação em latim, que foi traduzida
simultaneamente em espanhol, francês,
português, francês, inglês, alemão e polonês
pela Rádio Vaticano.
Um cardeal leu um texto sobre a vida do
pontífice, morto em 2005, após 27 anos de
papado. Foram destacadas virtudes de João
Paulo II, como seus dotes intelectuais,
morais e espirituais.
Após a leitura, ocorreu o principal momento
da cerimônia, em que foi descerrado um
retrato de João Paulo II, a partir de então
denominado beato. "Concedemos que o venerado
servo de Deus João Paulo II, Papa, seja de
agora em diante chamado beato", proclamou
Bento XVI.
A data escolhida para a veneração do papa
foi 22 de outubro, dia da primeira missa do
seu pontificado.
Muitos aplausos e gritos de "Santo subito"
(Santo já), como no dia do funeral de João
Paulo II, foram ouvidos na praça, repleta de
pessoas que exibiam bandeiras de muitos
países, entre elas a polonesa e a
brasileira.
A freira francesa irmã Marie Simon-Pierre
Normand - cuja a cura do mal de Parkinson, a
mesma doença degenerativa do papa, em junho
de 2005, é tida como a primeira graça de
João Paulo II- levou ao altar uma ampola
contendo sangue do Papa, enquanto outra
religiosa que o acompanhou durante o papado,
levou algumas de suas relíquias.
O Papa polonês, nomeado Sumo Pontífice em
1978, faleceu em 2 de abril de 2005 aos 84
anos.
A beatificação é a etapa anterior à
canonização e aconteceu em tempo recorde.
Desde as primeiras horas da madrugada
milhares de fiéis, entre eles poloneses,
espanhóis, italianos, franceses e
latino-americanos, fizeram fila para entrar
no local.
Os primeiros que entraram fizeram-no na
adjacente Via da Conciliação e durante a
madrugada se abriram as entradas à Praça de
São Pedro.
O idioma que mais se escutava era o polonês,
já que milhares deles assistem à
beatificação do primeiro papa polonês da
história.
A beatificação de João Paulo II é uma das
maiores da história da Igreja, já que,
segundo o governador regional de Roma,
Giuseppe Pecoraro, assistem mais de um
milhão de pessoas.
Também é um evento histórico sem
precedentes, já que nos últimos mil anos da
Igreja Católica nenhum papa proclamou seu
antecessor como beato, como ocorrerá neste
domingo.
Vigília
Em
uma noite que lembrava as grandes vigílias
presididas por João Paulo II, cerca de 200
mil pessoas se reuniram neste sábado no
Circo Máximo de Roma para homenagear o papa
Karol Wojtyla, que neste domingo será
proclamado beato.
"Ele já era santo em vida", afirmou
emocionado Joaquín Navarro Valls, o espanhol
que durante 22 anos foi seu porta-voz e que
neste sábado, ao lado do antigo secretário
particular Stanislaw Dziwisz, homenageou
Wojtyla junto a dezenas de milhares de fiéis
de vários países.
A vigília começou com um vídeo do ano 2000
de João Paulo II durante a Jornada Mundial
da Juventude de Roma e prosseguiu com o
canto de "Jesus Christ you are my life",
interpretado pelo Coro de da Diocese de Roma
e da Orquestra do Conservatório de Santa
Cecilia
Em seguida, foi feita uma conexão com cinco
santuários aos quais o papa era muito
ligado: o de Nossa Senhora de Guadalupe, no
México; Fátima em Portugal; Lagniewniki na
Polônia, Kawekamo-Bugando na Tanzânia e
Notre Dame do Líbano.
"Se vê, se sente, o papa está presente",
cantaram os milhares de fiéis reunidos no
santuário mexicano.
A vigília foi dividida em duas partes. A
primeira, a "Celebração da Memória", começou
com uma procissão de 30 jovens romanos com
tochas que homenagearam a imagem de Maria
Salus Populi Romani, a patrona de Roma,
presente no ato, seguida pelos discursos de
Navarro Valls, Marie Simon Pierre e Dziwisz.
A segunda parte foi a "Celebração dos
Mistérios Luminosos do Santo Rosário", que
foram introduzidos por João Paulo II durante
seu Pontificado. O rosário foi recitado em
conexão direta com os santuários aos quais
Wojtyla era relacionado.
Em Guadalupe as orações foram pela esperança
e a paz dos povos, em Fátima, pela Igreja;
em Lagniewniki, pelos jovens; em
Kawekamo-Bugando, pela família; e em Notre
Dame do Líbano, pela evangelização.
Fonte: O Globo
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